Falar é fácil, diz uma amiga minha: até papagaio fala! Agora
quero ver argumentar de forma clara e consistente.
Vejo hoje na “grande” mídia todo um sentimento de revoltas e
verdadeiras manifestações de indignação contra a violência pulsante na grande
São Paulo, e isto tem gerado um cem números de posts em redes sociais
implorando pela diminuição da idade penal para encarcerar de vez os menores
infratores e assim acabar com esse lixo urbano e trazer a paz a nossas cidades.
Isso sem contar na volta do coro em prol da pena de morte.
Falar é fácil agora ir fundo no problema, fazer a mea culpa
e pensar como cidadão ao invés de pensar como vítima, isso meu caro é muito
difícil. É óbvio que como vítima o que todo ser humano, raras exceções, vai querer é o olho por olho, dente por dente
, é fato é simples. Mas como cidadão? Como alguém que vive em sociedade e viver
em sociedade pressupõe viver sobre leis, normas e regras. Como agir? E se for
religioso então? Quem produz esse “lixo” humano? Por que tanta violência? O que
eu tenho feito para melhorar esta situação? Será que aqueles que defendem estes
posts inflamados realmente acreditam na sua eficácia contra o que vem
acontecendo. Toda essa revolta é momentânea,
inflamada por casos recentes e exibidos a exaustão na mídia, porém em nenhum
momento, por conveniência, a mídia põe o dedo na ferida, que é uma classe
política que em nada deixa a desejar em termos de crueldade a estes marginais,
ou alguém acha que um desvio de verbas da ordem de bilhões é algo que não mata
uma parcela considerável da nossa população, seja pela falta de atendimento,
falta de salários decentes aos nossos profissionais mais importantes que são os
médicos e professores, seja pelo exemplo de que é idiota quem trabalha feito um
burro de carga e esperto continua sendo aquele que leva vantagem em tudo.
Toda esta violência cruel é reflexo de uma sociedade cruel,
que tem seus valores baseados em poder, em ter, e não dá o menor valor a vida em
sociedade, vota por conveniência, por favores, por privilégios, e quando se vê
alvejada por crime violento faz coro por justiça mas jamais pensa em reavaliar
seus valores suas crenças e seu papel como cidadão.

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