sábado, 27 de abril de 2013

Falar é fácil.


Falar é fácil, diz uma amiga minha: até papagaio fala! Agora quero ver argumentar de forma clara e consistente.
Vejo hoje na “grande” mídia todo um sentimento de revoltas e verdadeiras manifestações de indignação contra a violência pulsante na grande São Paulo, e isto tem gerado um cem números de posts em redes sociais implorando pela diminuição da idade penal para encarcerar de vez os menores infratores e assim acabar com esse lixo urbano e trazer a paz a nossas cidades. Isso sem contar na volta do coro em prol da pena de morte.
Falar é fácil agora ir fundo no problema, fazer a mea culpa e pensar como cidadão ao invés de pensar como vítima, isso meu caro é muito difícil. É óbvio que como vítima o que todo ser humano, raras exceções,  vai querer é o olho por olho, dente por dente , é fato é simples. Mas como cidadão? Como alguém que vive em sociedade e viver em sociedade pressupõe viver sobre leis, normas e regras. Como agir? E se for religioso então? Quem produz esse “lixo” humano? Por que tanta violência? O que eu tenho feito para melhorar esta situação? Será que aqueles que defendem estes posts inflamados realmente acreditam na sua eficácia contra o que vem acontecendo.  Toda essa revolta é momentânea, inflamada por casos recentes e exibidos a exaustão na mídia, porém em nenhum momento, por conveniência, a mídia põe o dedo na ferida, que é uma classe política que em nada deixa a desejar em termos de crueldade a estes marginais, ou alguém acha que um desvio de verbas da ordem de bilhões é algo que não mata uma parcela considerável da nossa população, seja pela falta de atendimento, falta de salários decentes aos nossos profissionais mais importantes que são os médicos e professores, seja pelo exemplo de que é idiota quem trabalha feito um burro de carga e esperto continua sendo aquele que leva vantagem em tudo.
Toda esta violência cruel é reflexo de uma sociedade cruel, que tem seus  valores baseados em poder,  em ter, e não dá o menor valor a vida em sociedade, vota por conveniência, por favores, por privilégios, e quando se vê alvejada por crime violento faz coro por justiça mas jamais pensa em reavaliar seus valores suas crenças e seu papel como cidadão. 

domingo, 15 de julho de 2012

Voo JJ 3054

Terça feira dia 17, será inaugurada uma praça no local onde há 5 anos ocorreu o acidente que vitimou 199 pessoas, o maior acidente já registrado até hoje no Brasil.
Acho justo e bem vindo a ideia, porém como já sabemos vai ficar só nisso. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de conhecimento sabe que um acidente aéreo deriva não de uma causa, mas do somatório de diversos erros que culminam na tragédia, quem tiver dúvidas basta ler a sessão Blackboxes do site http://www.jetsite.com.br
No caso deste acidente fica evidente falhas do poder público, o mesmo que está inaugurando a praça, falhas que deveriam ser severamente punidas, mas como aqui é Brasil, nada acontece, basta passar pela Av. dos Bandeirantes e lá está o prédio construído a poucos metros da cabeceira da pita, ou seja, o exemplo de incompetência do poder público ou seria de corrupção, propinas e falcatruas que rondam as administrações públicas em todas as suas esferas. Nada foi feito, até agora e o prédio está lá e já foi dito por um cem números de especialistas em aviação e pelos próprios comandantes de aeronaves que ele representa um perigo na aproximação da pista. Mas nada é feito, estão esperando o que? Outra tragédia para demolirem e depois construir ali a próxima praça ou monumento?


Não adianta porém colocar a culpa só no poder público, nós cidadãos, eleitores e viajantes também temos nossa parcela de culpa, primeiro por não exigir uma solução para o caso, com investigação minuciosa e eventual punição dos envolvidos e o mais importantes ações para que nunca mais se repita o erro. Já diz o ditado que persistir ao erro é burrice. Outro fato muito comentado a época era a questão de fechar o aeroporto, uma vez que a região esta densamente habitada, mas quando o aeroporto ali se instalou aquilo era deserto e as pessoas foram habitando e tomando conta inclusive das cabeceiras, tudo com conivência do poder público. Então a população tem sim sua parcela de culpa. Imaginem que naquele dia do acidente se o comandante tomasse a decisão de pousar em Guarulhos ou até mesmo Viracopos alegando insegurança em realizar o pouso em Congonhas, mesmo sabendo que outras aeronaves passaram o dia pousando ali. Ele seria demitido e a Tam seria alvo de inúmeros processos, sabe porque? Nós vivemos a loucura da "falta de tempo" passageiros alegariam que perderam compromissos importantes por causa da decisão absurda do comandante, ou seja, estamos a toda hora colocando nossos interesses frente a razão ao bom senso, e na minha opinião isto é  um fator de risco não só na aviação como em todas as atividades cotidianas. Quem trabalha com prevenção de acidentes em empresas sabe bem disso o costume é o maior desencadeador de acidentes, aquela frase "mas eu sempre fiz assim".


Por isso e por inúmeros outros motivos, acho que a praça deveria pelo menos uma vez por mês promover ciclos de debates e promover ações concretas como por exemplo cobrar uma solução para que seja demolido o prédio que representa perigo as operações do aeroporto, sem isso será só mais uma praça como tantas. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Saudades


Saudades de que?

Não sei, mas acho que de ter.

Nem que seja por um instante.

Mas então é desejo, não saudade.

Que seja, mas prefiro pensar como uma saudade,

Como se já tivesse acontecido, loucuras de meu ser.

Sei que não terei, além de meus pensamentos.

Então morro de saudades daquilo que nem tive.

E sofro calado como um vulcão adormecido,
Por dentro, borbulhando e calado, uma pressão reprimida, um fogo que queima somente em mim e me destrói aos poucos, e aos poucos me congela por fora, para que ninguém sinta o calor, para que ninguém me ouça.

Trilha:

Ópio (zeca baleiro)

Eu não quero ver
Você cuspindo ódio
Eu não quero ver
Você fumando ópio
Prá sarar a dor
Eu não quero ver
Você chorar veneno
Não quero beber
O teu café pequeno
Eu não quero isso
Seja lá o que isso for...

Eu não quero aquele
Eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo
Acenando tchau...

Não quero medir
A altura do tombo
Nem passar agosto
Esperando setembro
Se bem me lembro
O melhor futuro
Este hoje, escuro
O maior desejo da boca
É o beijo
Eu não quero ter o tédio
Me escorrendo das mãos...

Quero a Guanabara
Quero o rio Nilo
Quero tudo ter
Estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo
Água e sal...

Nada tenho
Vez em quando tudo
Tudo quero
Mais ou menos quanto
Vida, vida
Noves fora zero
Quero viver, quero ouvir
Quero ver...(2x)

Eu não quero ver
Você cuspindo ódio
Eu não quero ver
Você fumando ópio
Prá sarar a dor
Eu não quero ver
Você chorar veneno
Não quero beber
O teu café pequeno
Eu não quero isso
Seja lá o que isso for...

Eu não quero aquele
Eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo
Acenando tchau...

Não quero medir
A altura do tombo
Nem passar agosto
Esperando setembro
Se bem me lembro
O melhor futuro
Este hoje, escuro
O maior desejo da boca
É o beijo
Eu não quero ter o tédio
Me escorrendo das mãos...

Quero a Guanabara
Quero o rio Nilo
Quero tudo ter
Estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo
Água e sal...

Nada tenho
Vez em quando tudo
Tudo quero
Mais ou menos quanto
Vida, vida
Noves fora zero
Quero viver, quero ouvir
Quero ver
Nada tenho
Vez em quando tudo
Tudo quero
Mais ou menos quanto
Vida, vida
Noves fora zero
Se é assim, quero sim
Acho que vim prá te ver...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Nove em cada dez alunos do 9º ano de escolas públicas não sabem fazer contas com centavos (UOL 21/12/11)

Uma notícia dessas derruba qualquer outro índice que possa ser apresentado por nossos governantes, aumento de consumo, migração das classes E e D para a C, enfim, todos aos quais já estamos habituados a ouvir caem por terra quando lemos uma notícia como a de ontem no UOL. Já é mais que sabido que há décadas o nosso ensino público e particular, com raríssimas exceções, está muito aquém do mínimo, vejo hoje pessoas que estão saindo do ensino médio (antigo 3º grau) e não tem conhecimento que eu tinha ao sair da 8º série, e olha que meu ensino já foi abaixo da média, bem abaixo aliás.
Conclui-se o óbvio, o que interessa aos nossos governantes, independente de siglas, é mostrar essas falsas estatísticas de população alfabetizada, mentira! Estamos formando um bando de analfabetos com diploma, e as consequências estão no noticiário todos os dias: erros médicos, erros de calculo estrutural (casas e edifícios que caem), exemplos não faltam. O que falta é atitude.



Musica incidental:

Comida (Arnaldo Antunes/Marcelo Fromer/Sérgio Britto)

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...
Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...
Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida




quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Por que Indignado?

Nasci em 1968, ano este que foi até tema de livro do Zuenir Ventura - 1968 o ano que não acabou - o que sei é que minha história começou exatamente em abril deste ano. E desde então tenho visto o mundo ao meu modo particular, sempre fui uma pessoa introspectiva de poucas palavras e muitos, mas muitos pensamentos, não fosse a falta total de interesse e portanto de condições de uma carreira de sucesso, teria feito filosofia, mas os filósofos hoje, se é que existem, morrem de fome. Principalmente aqui em terra tupiniquins pensar não é de interesse da nata que nos comanda, por motivos óbvios, haja visto a quantidade de escolas técnicas espalhadas por ai, o que importa aos nossos digníssimos comandantes é formar cidadãos trabalhadores e obedientes, pensar deixa para poucos, assim fica fácil a manipulação. Claro que os nossos Filósofos também ajudaram, pois a maioria deles ao chegarem ao poder, sucumbiram, esqueceram e queimaram seus livros e teorias, simples assim, e o que restou aos que ainda "quixotescamente", como eu, procuram pensar um pouco, restou a indignação, nada mais.


Música incidental:
Jeito de Viver
Sá e Guarabyra


Eu ainda sou
Aquele sonhador
Desculpe se o que eu sinto
É muito antigo
Desculpe o que eu fizer
É por amor
Eu ainda vivo
No mundo da lua
Fazendo planos simples pro futuro
Eu na verdade
Sou um menestrel medieval
Assombrado com imagens de televisão
Assustado pelas coisas que acontecem
Dentro do meu coração
Por isso eu penso
Que essas coisas
Não deviam ser
Como elas são
Eu ainda estou
Querendo descobrir
Um jeito de mostrar meu sentimento
Um jeito claro e simples de viver
Sem precisar fingir
Eu na verdade
Sou um menestrel medieval
Assombrado com imagens de televisão
Assustado pelas coisas que acontecem
Dentro do meu coração
Por isso eu penso
Que essas coisas
Não deviam ser
Como elas são...